Jornada destaca luta pela terra como condição para transformações democráticas no país

“Terra é liberdade. Não há como ser livre sem terra. Democracia só existe se a gente tiver território”, diz o agricultor Joelson Ferreira, do Assentamento Terravista. “O território hoje assume o papel de partido. É ali que se tece a unidade”, completa, mais tarde, o advogado Felipe Estrela, do Mutirão dos Territórios do Baixo Sul.

A V Jornada de Agroecologia da Bahia começou nesta quinta (20) lançando uma discussão densa sobre as relações entre a organização dos movimentos de luta pela terra e o desafio de construir novas formas de organização política, contornando a atual crise em que se encontra a democracia no mundo.
Os debates reforçam a novidade do modelo da teia, que congrega mais de 30 diferentes movimentos da região sul da Bahia, incluindo diferentes povos indígenas, quilombolas, comunidades de terreiro, pescadores, extrativistas, além de trabalhadores rurais assentados, acampados, estudantes, educadores, mestres  etc. “O modelo dos partidos de esquerda e movimentos tradicionais não é mais viável para nós. Um ciclo se fechou”, diz Maria José, outra ativista da Teia.


É a primeira vez que o evento acontece fora do Assentamento Terravista, em Arataca (BA), lugar onde o plantio de cacau no regime agroecológico serve de modelo para as comunidades da região. Além de difundir essa nova forma de cacauicultura, a fim de superar as armadilhas que fizeram a lavoura a uma crise generalizada nos anos 90, com a difusão do fungo conhecido como vassoura-de-bruxa, a Teia dos Povos, criada em 2012, a partir das Jornadas, passou a realizar uma série de outras atividades em conjunto, como mutirões de plantio e feiras de troca de sementes.

O motivo de fazer o evento em Porto Seguro foi o simbolismo, como explica um dos ativistas da Teia, Haroldo Heleno. “Nós queremos afirmar que isso aqui não é Costa do Descobrimento coisa nenhuma, isso aqui é terra indígena, essa terra tinha e tem dono”. A V Jornada acontece no mesmo ambiente onde são disputados os Jogos Pataxó. A olimpíada indígena local reúne centenas de representantes das mais de 30 aldeias da região.

A V Jornada de Agroecologia da Bahia prossegue até domingo (23), na Arena Boca da Barra, em Porto Seguro, incluindo apresentações culturais, debates, oficinas e uma feira de produtos agroecológicos das comunidades participantes da Teia dos Povos.

Visite as memorias da V Jornada no Baobáxia

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