A soberania alimentar como princípio de autonomia dos povos

Práticas agroecológicas no Assentamento Terra Vista contribuem para a construção da soberania alimentar no território de identidade Litoral Sul.

O Assentamento Terra Vista, um dos elos da Teia dos Povos, possui uma coordenação geral composta por mulheres, jovens e homens, que são responsáveis pelos setores de educação, soberania alimentar e geração de renda. Possui também dois núcleos compostos pelas 52 famílias. Todas e todos trabalham persistentemente para alcançar um ambiente mais justo, igualitário e digno. Para isso, a comunidade desenvolveu uma estratégia participativa de desenvolvimento sustentável, onde a produção de alimentos está inteiramente ligada aos processos de educação e geração de renda, sendo os principais atores a juventude e as mulheres.

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Programas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), além das tradicionais Feiras Livres têm contribuído para a diversificação da alimentação de qualidade para quem produz e para quem compra, além da ampliação da comercialização dentro da própria comunidade.

Dona Ivani, assentada no Terra Vista, conta que há dois anos iniciou sua horta. Ela comercializa seus produtos principalmente junto ao PAA. Segundo esta agricultora, o cultivo de hortas trouxe a garantia de renda, visto que sempre há demanda por compra de hortaliças e verduras. Além disso, ela afirma que sua família passou a se alimentar de produtos mais diversos e saudáveis, como a berinjela, o jiló e o maxixe: “Antes da horta, a gente tinha comprar na rua. Melhor mesmo é a gente plantar, porque aí é garantido que vamos comer”.

A Juventude do Assentamento Terra Vista desenvolve um papel importantíssimo na construção do comDSC_8400ércio solidário. Os jovens estão construindo uma iniciativa chamada “Coletivo de Consumo Cabaça” que possibilita abrir uma nova forma de vender produtos diretamente aos parceiros. Quinzenalmente são entregues cestas de produtos diversificados a consumidores da UFSB e professores de instituições municipais de educação. Esta ação também contribui com o “Fundo de Cultura da comunidade”, integrando assim, não só o fortalecimento da comercialização mas também da educação, da renda e da cultura.

As mulheres estão inseridas no processo organizativo e produtivo do assentamento Terra Vista. Atuam como coordenadoras e agricultoras, além de assumirem também outras profissões, tais como professoras, agentes de saúde, merendeiras, artesãs, dentre outras. Muitas delas, juntamente com suas famílias, possuem hortas, sistemas agroflorestais e roças de cacau – manejado dentro do tradicional sistema cabruca. Um dos processos de beDSC_8445neficiamento mais importantes do assentamento é feito pela juventude e por mulheres, que é a transformação do cacau fino em chocolate artesanal, polpas, doces, entre outros produtos.

Mais de 90% das mulheres estão envolvidas diretamente no processo de educação formal e técnica. São professoras, gestoras, estudantes, técnicas em informática, agroecologia, agroindústria e meio ambiente, colaborando com atividades sócio-ambientais junto ao Centro Integrado Florestan Fernandes e ao Centro Estadual de Educação Profissional do Campo Milton Santos. Estas duas instituições são resultado da intensa e longa luta por uma educação pública de qualidade, vinculada à realidade do campo e enraizada no território.

Estamos caminhando para alcançar nosso  objetivo, que inclui a soberania alimentar plena, renda familiar mensal de, pelo menos, cinco salários mínimos e educação formal com escolas em tempo integral e ensino técnico profissionalizante, além de graduação, mestrado e doutorado, tornando-se assim uma comunidade auto-sustentável e autônoma.

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