Plenárias reúnem pautas e discussões sobre agroecologia e movimentos sociais

As discussões coletivas da II Jornada de Agroecologia da Bahia iniciaram no primeiro dia do evento, quinta-feira (12), com as salas de diálogo temáticas. A partir dos encaminhamentos e das reuniões diárias entre os participantes, as discussões seguem e se consolidam nas plenárias, realizadas pela manhã e nos fins de tarde de cada dia da jornada. É um momento de ouvir e compartilhar ideias e pensamentos para o fortalecimento das redes entre os povos e grupos que lutam e constroem um novo modo de desenvolvimento: sustentável, coletivo, colaborativo, solidário, agroecológico, autônomo e livre.

Antes das plenárias,os cortejos, cirandas, danças circulares e torés da etnia indígena Pataxó Rã Rã Rãe abrem o caminho e limpam as energias para o prosseguimento da troca de saberes que emana nas discussões. A plenária da tarde de sexta-feira, 13, trouxe para a II Jornada a importância da apropriação popular sobre os meios de comunicação e tecnologias sociais, entendo a ligação direta da comunicação com a agroecologia e com a luta pela terra. Abaixo, algumas das falas que marcaram a mesa da plenária de sexta-feira.

A estudante de agronomia Quênia Barreto, do Grupo de Ação Interdisciplinar em Agroecologia (GAIA – UFRB), destacou a formação da Brigada de Audiovisual/Comunicação, que desde a I Jornada trabalha para divulgar as ações realizadas pelo evento e pela Teia Agroecológica dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica. “Queremos levar o que acontece aqui para o mundo, sempre pensando na união e na elevação dos saberes trocados. E quem quiser, pode vir se integrar à Brigada também”.

A fala de TC Silva, da Rede Mocambos/Casa de Cultura Tainã, levantou os ânimos ao elevar a apropriação do conteúdo e do controle da comunicação como estratégia política de resistência. “Assim como o assentamento é um território livre, devemos também construir nossos territórios livres no meio digital. A terra, a água e a comunicação são os principais alvos do dominador. Precisamos ficar atentos com a colonização que ainda resta em nós, para sabermos como nos libertar”.

Jô Machado, da Casa de Economia Solidária de Serra Grande, trouxe para a roda uma das bases da Economia Solidária, que é a formação das redes como espaços de troca e disseminação das ações coletivas que resistem à dominação dos meios de produção capitalistas: “A economia solidária é inclusiva e participativa, ela melhora o empoderamento e fortalece os ‘pequenos’. 90% da população brasileira é considerada pobre. Devemos pensar nos motivos que nos levaram a deixar se dominar por esses 10%”.

“Nós chegamos num estágio do poder capitalista onde não cabe mais reforma”. É com essa fala que Joelson Ferreira, do Assentamento Terra Vista (MST), chamou a atenção para algumas ações que, segundo ele, devem ser executadas pelos movimentos que lutam pela liberdade e pela terra. “Não podemos pensar no voto como poder popular. Temos que construir nossas forças de defesa, conectar ainda mais as pequenas ações e unificar os projetos para romper com o latifúndio da educação”. Lembrou ainda a importância de aprender com a floresta, dando o exemplo dos catitu, porco da mata que, por andar em bando, sobrevive à dominação das onças. “Temos que ocupar, produzir, resistir e educar. Não há outro caminho”, finalizou Joelson.

Durante a plenária, o Mestre Lua de Santanas foi homenageado pelo Assentamento, em agradecimento à sua contribuição à Jornada e à construção do forno de barro em bioconstrução, que mobilizou mutirões de trabalho durante toda a semana. A fala do Mestre veio com um corrido de capoeira, que saudou as mães das Oxum e Iemanjá, destacando a importância da conservação das nossas águas: “Chamo Mamãe Oxum, chamo Mãe Iemanjá. Uma que mora na beira do rio e a outra que mora no fundo do mar.

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